
Segue aqui a singela trajetória do meu clown, minha pesquisa-ofício. Uma trajetória que começou por acaso, onde não faltaram tropeços, incertezas e transformações estéticas. Mas também cheia de intensidade, crescimento e descobertas.
Sendo o palhaço um ser ao avesso, o caminho para descobrí-lo não poderia ser diferente. Em 2003, no grupo de teatro Sofos e Safos, escrevi e participei da direção da esquete de rua “Um presente para Porto Alegre”, para as comemorações da 44ª semana da cidade. Nessa esquete onde atuavam três palhaços, se contava um pouco da história e dos pontos turísticos da cidade. As apresentações foram realizadas na Esquina Democrática, no Largo Zumbi dos Palmares, no Caminho dos Antiquários e dentro de algumas linhas de ônibus da Carris.
Em 2004 fiz parte da oficina “Teatro de Rua – Arte e Política” na Escola de Teatro Popular da Terreira da Tribo. Depois de seis meses, concluímos essa oficina com uma esquete da cena dos palhaços de "A peça didática de Baden-Baden sobre o acordo” de Bertolt Brecht, na Praça da Alfândega.
No ano seguinte, 2005, participei de uma oficina de clown ministrada pelo grupo francês Caravene Théâtre sob coordenação de Jean Pierre Besnard no espaço da Escola de Teatro Popular da Terreira da Tribo.
Mais tarde durante esse mesmo ano, ministrei oficinas de teatro em uma escola pública estadual em Porto Alegre para turmas que iam do pré à 4ª série. Esse desafio serviu de subsídio para que mais tarde eu pudesse não só inventar, mas me reinventar. Foi em 2006 que então surgiu “Recreação Engraçada” - uma atividade cênico-recreativa voltada para o público infantil e conduzida pelo meu palhaço. Nessa junção da experiência das oficinas infantis com aquele que se tornaria o Nenusko, pude conhecer uma grande mestra na linguagem do palhaço: a criança. Após realizar a “Recreação Engraçada” em algumas escolas, em outubro de 2006 fui convidado pela Biblioteca Lucília Minssen da Casa de Cultura Mário Quintana para realizar a “Recreação” dentro do projeto “A Magia do Circo no Mundo da Criança”.
Ainda em 2006, após uma pesquisa sobre o palhaço que vinha desde abril em encontros no CPERS, eu e Washington Sanchez entramos em cartaz no mês de outubro com a peça “Toc-Toc – Uma Visita Surpresa” na sala Lili Inventa o Mundo da CCMQ. Esse espetáculo que não possuía texto, apenas gags físicas, contava a história de um palhaço miserável que recebe a visita indesejada de seu inconveniente par.
Em fevereiro de 2007 fiz uma viagem até o Lume para fazer uma oficina que me instigava desde que assisti "Cravo, Lírio e Rosa" quatro anos antes; “O Clown e o Sentido Cômico do Corpo” com Ricardo Puccetti.
Durante 2007 apresentei “Recreação Engraçada” na Feira do Livro de São Sebastião do Caí e no Projeto Abrindo Horizontes na Travessa dos Cataventos da Casa de Cultura.
Também em 2007 realizei uma intervenção clownesca no Centenário de Astrid Lindgren, escritora sueca autora de "Pipi Meia Longa", na Biblioteca Lucília Minssen.
Em fevereiro de 2008 voltei ao Lume para fazer o II módulo da oficina com Ricardo Puccetti - “O Clown e o Sentido Cômico do Corpo – aprofundamento”.
Dentro do Palco Giratório de 2008 fiz a oficina de palhaço com Alexandre Casalli e Lúcio Tranchesi da Cia. O Sapato do Meu Tio. Ainda em 2008 realizei intervenções clownescas no I Festival Estadual de Contadores de Histórias promovido pela BLM.
No Palco Giratório de 2009 participei da oficina "Palhaço e Comicidade Física", ministrada pela Cia. LaMínima.
Bom, esta aí o percurso que tem me forjado até então. Muitas verdades encontrei nesse caminho.
Agradeço a todos que me ajudaram ou me atrapalharam até agora.
Abraços,
W.J.D/Nenusko.
"Estive tão disponível ultimamente. Disponível para com os
que me assistiam tentar. E tentavam junto. Ao gargalharmos,
nos ligamos por um fio invisível e infinito. Marionetes de mão dupla.
É o jogo onde todos vencem. A preciosidade com que cada olhar
mirou-me, guardarei com todo cuidado em um lugar quase inexistente.
Sem dúvida, certas coisas são impossíveis de apagar, mesmo que não
lembremos mais delas. Elas ficam, simplesmente. Ecoam tão longe que
escapam da nossa
dimensão, do nosso tempo, da nossa compreensão.
Podemos encontrar pérolas sem
abrir as ostras? Mergulhando fundo, sim."